sexta-feira, 30 de maio de 2014

# 571

Quando a terceira dimensão vai de per si.

# 570

Adolfo Luxúria Canibal é o meu letrista favorito na música portuguesa. No entanto não consigo separar o intérprete das letras que escreve. É impossível dissociar esta dualidade que me parece uma extraordinária transposição do caso Dr. Jeckyll e Mr. Hyde para o universo musical. Luxúria Canibal alimenta o monstro que narra ou que age, com o seu universo de alusões góticas, surreais, sexuais, subversivas ou apocalípticas, cheias de palavras que enchem a boca e vibram de pujança sonora. O que numa voz comum teria impacto relativo ganha um corpo gigante na guturalidade e na dicção marcante do vocalista dos Mão Morta. A expressão corporal contribui para ampliar o que as palavras sugeriam já. Imagens, imagens e mais imagens, cenas suficientemente vagas para fugirem ao facilitismo da correspondência directa (não apenas com a realidade), embora de uma justeza psicológica que aliada à energia das guitarras criam ficções dentro de nós. Não encontro este potencial em nenhum outro projecto nacional, e penso que isso deve-se também à interdisciplinaridade praticada pelos Mão Morta, que reúne nos seus elementos gente com conhecimentos em diferentes linguagens artísticas e escolas de pensamento várias. As palavras das canções valem tanto pelo que sugerem como pelo som que projectam. Ou talvez não. Talvez a importância do som seja o que prevalece, algo que impele a reagir numa zona recôndita em nós, adormecida ou esquecida do anseio por uma qualquer redenção. A música dos Mão Morta faz-nos sentir vivos no momento em que a escutamos, e no mundo actual nenhum outro gesto me parece mais radical que este.

Em repeat:  




Ainda chamando a atenção para a edição recente de mais um disco estupendo.

quinta-feira, 29 de maio de 2014

# 569

O compositor John Cage, and friend, fotografados por William Gedney.

terça-feira, 27 de maio de 2014

# 568



Brutal, disse ele.
Enorme, ela respondeu.

# 567

























O maior elogio que me fizeram em muito tempo foi terem dito que se eu fosse um álbum de Bruce Springsteen era este que seria. Não me apercebi no momento da importância do resultado porque tinha acabado de comprar o disco e precisei de o escutar com o mínimo de atenção. Tivesse o elogio vindo da boca de uma mulher em vez de ser produto de um Quiz e o meu estado civil estaria seriamente ameaçado.

segunda-feira, 26 de maio de 2014

# 566


















** (Razoável)
















* (Medíocre)




















**** (Muito Bom)

























**** (Muito Bom)

quarta-feira, 21 de maio de 2014

# 565

Adoro isto




por ser a antítese disto...




Combate desigual, mas sinto-me um bocadinho vingado nos planos estético e ideológico.

# 564

«O próprio escrever perdeu a doçura para mim. Banalizou-se tanto, não só o acto de dar expressão a emoções como o de requintar frases, que escrevo como quem come ou bebe, com mais ou menos atenção, mas meio alheado e desinteressado, meio atento e sem entusiasmo nem fulgor.»


Ou o diálogo contínuo.

terça-feira, 20 de maio de 2014

# 563


Álbum de família.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

# 562



























Pares de áses.

domingo, 18 de maio de 2014

# 561

















A série chama-se GIRLS mas aquilo que de mais especial acontece na terceira temporada é da responsabilidade das older women: Patti Lupone, Deidre Lovejoy, Louise Lasser, e restantes. Lena Dunham continua a cumprir com o caderno de encargos de uma agenda feminista inteligente, passando de raspão pelo que é superfícial e dando outro espaço ao mais importante: a criação de personagem e a interpretação por actrizes maduras, carismáticas, com uma tarimba que salta à vista. É uma forma também da série poder captar públicos de gerações diferentes, a que por certo não é alheio o trabalho de produção de Judd Apatow, que nos seus filmes procura sempre inscrever-se numa tradição que se estendeu depois à série GIRLS. A qualidade de representação dos actores experientes contagia os mais novos, e neste aspecto particular GIRLS supera ao terceiro conjunto de episódios a qualidade que lhe era reconhecida.    

sexta-feira, 16 de maio de 2014

# 560











































Mais olhos que barriga.

quinta-feira, 15 de maio de 2014

# 559




Será na vida não vivida onde mais verdadeiramente existimos. Se imagino, vejo.

quarta-feira, 14 de maio de 2014

# 558


Se encontrarem contradições é porque no fundo queria gostar e muito deste filme.

segunda-feira, 12 de maio de 2014

# 557







































Um filme falhado que fica connosco porque as cenas em que Scarlett Johansson aborda estranhos na estrada são maravilhosas. Ali está sempre vestida, mas a sua voz turfada e coloquial despe-(n)os por dentro: antes de lhes vazarem a carne.

sexta-feira, 9 de maio de 2014

# 556



Yo, sou do tamanho do que vejo não o tamanho da minha altura
E o tamanho do meu desejo nunca me deu tontura
Procura e vais encontrar aquilo que não querias
Cem mulheres que fazem fila para ter as minhas crias
Fica sossegado, é o melhor que fazes bode
Isto não é para quem quer, isto é para quem pode
Fode sem sair de cima, melhor vinho da vindima
E pode ser que a minha rima, seja a tua mais a cima



A língua viva é o contrário da língua amorfa. Yo.

quinta-feira, 8 de maio de 2014

# 555

Há quem estabeleça comparações com o Sgt. Pepper's. A mim sugere-me um Neverland para gente crescida.

quarta-feira, 7 de maio de 2014

# 554



Bovarismo ou morte.

terça-feira, 6 de maio de 2014

segunda-feira, 5 de maio de 2014

# 552



Thriller.

# 551




















Refúgio e Evasão. Uma digna assunção da derrota. Impressa a negro. (e outras "cápsulas" do IndieLisboa 2014)