terça-feira, 30 de julho de 2013

# 318








































R.I.P., J.J.

# 317

























O retrato que Julien Temple faz de Joe Strummer é o de um humanista que se terá caracterizado de várias outras formas, nunca desta. Trata-se de um retrato post mortem, muito apoiado em depoimentos gravados com Strummer e em imagens de arquivo que tantas vezes surpreendem em trabalhos deste género. Fazendo uso da ética punk como proclamada pelo ex-líder dos The Clash, a de tratarmos qualquer homem como nosso semelhante, nenhum dos entrevistados é identificado, seja ele Johnny Depp, Bono, Jim Jarmusch, Mick Jones, Matt Dilon, Steve Buscemi, Martin Scorsese ou John Cusack. Sempre com o cenário de uma fogueira por perto, que era como Joe Strummer mais gostava de estar com as pessoas. Impressionante e finalmente bastante lúcido.

# 316
























Para começo de discurso, isto não é um filme mas antes uma taluda genética. A sorte grande. Vários bilhetes premiados. São todos lindos. Tudo em volta é lindo. Tem mulheres. Tem ondas. Tem sol. E está mais para o Célebres e Ricas (George Cukor, 1981) que para As Baleias de Agosto (Lindsay Anderson, 1987). Quando a realizadora Anne Fontaine nos dá um plano que percorre o corpo nu de Robin Wright dos pés à cabeça, para que nos certifiquemos que é mesmo o corpo da actriz, que surgira já maravilhosa das vezes anteriores, o momento é pontuado por uma frase da personagem, Roz, dirigida ao amante, filho da sua melhor amiga, que por vez dela se amantizara também com o filho da bela Robin, dizendo-lhe que dali a uns anos não o deixará mais vê-la assim. A gente normal que olha para Paixões Proibidas (Two Mothers ou Adore no original) deste lado prosaico da ressurreição, responde para dentro: daqui a muitos anos, estaremos nós a padecer de glaucoma e tu e a Naomi Watts terão ainda o mesmo corpo (o que em matéria de cinema, seja película ou digital, corresponde à verdade). Como disse de início, isto não é um filme. Antes um sonho embrulhado em cinema convencional como a moral que espelha, em dobro.

segunda-feira, 29 de julho de 2013

# 315




















Só Deus Perdoa / Only God Forgives joga-se entre a parede castradora e uma lâmina justiceira. Parece-me óbvio que as figuras mais fortes do filme de Nicolas Winding Refn são a mãe de Billy e Julian (interpretada com requintes viperinos por Kristin Scott Thomas) que chega a Banguecoque para vingar a morte do filho predilecto, custe o que custar, e o polícia encarregue da investigação da morte da prostituta aos punhos de Billy, que tem frieza moral de aço acompanhada de um peculiar sentido de aplicação da justiça, simbólico e literal ao mesmo tempo. A complexidade dramatúrgica dos filmes de Winding Refn pode ser tida por adolescente, mas prefiro sublinhar o modo como o realizador dinamarquês convoca arquétipos próprios da mitologia para Só Deus Perdoa. O estilo visual é hipercontrolado como de costume, mas ao contrário de Drive fica quase sempre aquém do ponto da nossa saturação. Ryan Gosling, ainda que não inteiramente convincente parece aqui mais ajustado na figura do irmão que recalcou a masculinidade atrofiada pela manipulação materna no pior uso das mãos, em explosões de violência que visam dar expressão às extensões do homem que não pode ou não consegue passar afecto, no que é uma total contradição com aquilo que inspiram os olhos azuis violeta e o silêncio dócil do actor. Gosling é Julian, agente vingador relutante que acabará por quebrar em virtude de lhe faltarem os atributos morais que acrecentam força ao seu opositor, o chefe de polícia tailandês. É preciso olhar além da sobredosagem de estilo que caracteriza os filmes de Nicolas Winding Refn. À sua maneira, tão sofisticada quanto pouco subtil, ele também procura repor uma ordem moral que por via da evocação de mitos e dos filmes dá conta do mundo dos homens. Só Deus Perdoa é acima de tudo um filme sobre a castração simbólica. Os punhos no lugar do falo, quando o tamanho moral se afirma a golpes de sabre.    

# 314























Quando Alex (Dirty Beaches) se veio juntar ao público da ZDB, e tal como combináramos, despi e entreguei a t-shirt à pessoa do lado e subi para o palco, onde por instantes executei uma coreografia de Muay Thay que terminou com saudação dirigida à plateia e o regresso, após nova troca de posições com ele, ao mesmo lugar onde continuei a assistir ao resto do concerto.

(apócrifo mas não todo; foto de Luís Martins)

sexta-feira, 26 de julho de 2013

# 313



Cinco canções chegaram ao final em primeiro lugar, empatadas com dois votos. Obrigou ao execrcício do "voto de qualidade", e assim a melhor canção dos Prefab Sprout de sempre é Desire As. A escuta e as conclusões agora a vós.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

# 312



Tristão e Alzira.

# 311



Qual a melhor canção dos Prefab Sprout de sempre? Última chamada para votos no facebook. Resultados amanhã.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

# 310



14 votos até aqui. Chegará aos 15.

# 309



Falta o CinemaScope.

# 308

# 307

# 306



A melhor canção de sempre dos Prefab Sprout está a votos até sexta-feira no facebook. Depois de amanhã cerca das 13 horas será conhecida a vencedora. 11 votos recebidos no primeiro dia. Todos especiais.

terça-feira, 23 de julho de 2013

# 305

# 304

# 303

# 302

# 301




A melhor canção de sempre dos Prefab Sprout está a votos até sexta-feira no facebook.

# 300

# 299

















Não é garantido que esta imagem corresponda a um plano de François Ozon, autopromovido à condição de pequeno sátiro. Procurava uma outra que ilustrasse o travelling sobre o corpo deitado de Kristin Scott Thomas, que termina num grande plano do que poderá corresponder ou não aos pés da actriz, de unhas impecavelmente pintadas em tom castanho. Isto para dizer que Dentro de Casa é um filme que entretém mas que não arrisca. Que sugere sem verdadeiramente beliscar. O verniz está lá para ser verniz, não para estalar.

segunda-feira, 22 de julho de 2013

# 298

Há muita beleza no mundo e também em dias de festa no Largo do Intendente.

# 297




















Os novos misfits encontram-se no cinema de Wes Anderson. Anderson filma personagens inadaptadas em busca de sentimento de pertença que só pode ser obtido no interior do universo colorido, excêntrico e fabricado de Wes Anderson. São filmes de alguém que continua a brincar sozinho, tendo por única companhia a própria imaginação. O espírito de aventura que atravessa a obra andersoniana ampara e engrandece a fragilidade das suas figuras. Estamos com elas porque queremos estar também dentro dos filmes. How misfit is that?

sexta-feira, 19 de julho de 2013

quinta-feira, 18 de julho de 2013

# 295



Felizes os convidados para irem ao encontro do apóstolo do rock'n'roll. Os que não puderam lá estar imaginam que o momento é agora e que o apóstolo também a eles se dirige. Estamos no reino dos possíveis: o que sempre perdura. Amen \m/.

quarta-feira, 17 de julho de 2013

# 294



Uma questão de escala(s).

# 293



"O filme que vocês assiste nesse site é feito a partir de imagens dos dois filmes do DVD Mormaço, que estará nas lojas a partir do dia 21 de maio de 2013. Nem todas essas músicas ou imagens estão no dvd, já que esta é uma edição feita só pra internet. Fizemos eu, Fernanda Krumel e Felipe Thomé sob imagens e sons que foram captadas ao longo de mais de um ano por mim, pelo Jack Coleman, pelo Rodrigo Pesavento e sua equipe da Zeppelin e por meus amigos que eventualmente estiveram por perto. O DVD mesmo tem os dois filmes inteiros. O show filmado no Theatro Sao Pedro, em Porto Alegre, com participação do Thomas Rohrer tocando rabeca e da Mallu, e também o filme Dama da Noite, filmado em 8 e 16 milímetros sobre a turnê com os Hurtmold e com o Thomas em imagens de estrada, bastidores e também imagens de casa. Espero que vocês gostem. Um abraço e até logo mais."

# 292


Julgar um livro pela capa. Mas depois lê-lo.

terça-feira, 16 de julho de 2013

# 291


Quando David Simon convida Steve Earle para aparecer nas suas séries sabe bem que as credenciais de "been there, done that" de que passa a dispor são do caraças. Isto é do caraças!

segunda-feira, 15 de julho de 2013

# 290


Mas com quem eu me identifiquei mesmo foi com o autor deste livro.

# 289



Antes da Meia Noite
é um filme onde o amor está sempre em questão, quer sob a forma de diálogos, quer em acção, quer pela simultaneidade de ambas as formas. O fluxo discursivo não conhece pausas, nem para observar umas quaisquer ruínas ou o pôr-do-sol num particular local. Alguém intervém no meio de uma situação tchekoviana – o escritor mais velho, Patrick -, uma conversa à mesa da refeição sobre as idades do amor, ou de que modo em diferentes idades a nossa concepção e prática do amor se modifica, para lembrar a frase inscrita no Oráculo de Delfos, que impele o homem a se conhecer a ele mesmo. É como se o filme de Linklater implicasse este desconhecimento de nós próprios como o principal obstáculo à experiência gratificante do amor, no que é bem capaz de ter razão. Existe em todo o filme uma neutralidade formal que não distrai daquilo que é o mais importante: o texto e os actores. Na terra onde o teatro nasceu, Linklater oferece-nos uma peça a céu aberto, como aliás eram apresentadas na Grécia Antiga. Esta neutralidade ou funcionalidade da planificação contribui também para olharmos a acção como para um espelho. Aquilo que lá está pode ser usado para revelar coisas acerca de nós. Acerca do modo como vemos as relações. Em que momento nos encontramos da concepção que fazemos do amor. Isto produz resultados tão claros e subtis como o facto de podermos torcer por diferentes desenlaces para a história de Jesse e Celine. Mas isso só é importante se disser algo sobre o espectador. Na medida em que permita perceber qualquer coisa ligada com as flutuações dos estados de alma, o modo como isso condiciona a relação com o filme, e de que maneira permite aceder ao conhecimento dele mesmo. Algumas vezes a aceitação de um filme, que até pode estar separada de uma questão de gosto, pode ligar-se com o reconhecimento e a aceitação de coisas muito nossas. Uma espécie de terapia que nos coloca dentro e fora do "palco". Em dias diferentes pode ter resultados diferentes, e eu sou prova disso mesmo, que vi Antes da Meia Noite uma segunda vez. Nunca são demasiadas as "visitas" ao Oráculo de Delfos.

sexta-feira, 12 de julho de 2013

# 288



O enforcado.

# 287



O primeiro colapso de Tony Soprano corresponde ao momento em que ele subconscientemente tem noção de que a ideia de família que mantivera no seu íntimo ruiu. Quando os patos levantam voo é como se o passado e o presente da vida de Tony, aquilo que guardava como seguro, ainda que sustentado pelas aparências, tivesse sido puxado por debaixo dos seus pés. Ele tomba, sim, pela primeira de várias vezes. O homem em queda que serve de mote à melhor ficção produzida em anos recentes: ver o genérico de Mad Men para outra representação em sentido literal.


Tudo. To be continued.

# 286






















"Toda mulher pessoa bonita é um pouco a namorada lésbica de si mesma."

Sorry big Nelson, mas os tempos são outros.

quinta-feira, 11 de julho de 2013

# 285

"Me? I'm too fuckin' simple-minded for that."

quarta-feira, 10 de julho de 2013

# 284



Omar mata.

foto: Terry Richardson

terça-feira, 9 de julho de 2013

# 283

Ícaro não cantava assim.

segunda-feira, 8 de julho de 2013

# 282

# 281

Não há melhor vingança nestes dias de inferno que dar um mergulho na praia depois das nove da noite.

# 280



Assim no amor como na pesca. É preciso deixar que a fortuna nos encontre e, pelo sim pelo não, ter a cana sempre por perto. A lição foi proveitosa, Mestre Hawks.

(na Cinemateca)

# 279


Qualquer dicionário dará como sinónimas as palavras "complicado" e "complexo". Martin Scorsese faz um retrato de George Harrison que supera as três horas de duração. Podia ter metade do tempo, fosse uma abordagem convencional. A complexidade exige tempo e o uso que Scorsese faz desse tempo é também para apartar os sinónimos. É que George Harrison, o homem e a sua biografia, separadas da circunstância descomunal de ter sido um dos quatro Beatles (a que é justo juntar o seu primeiro disco a solo, a obra-prima co-produzida com Phil Spector All Things Must Pass) , nada mais tem de extraordinário. Mesmo a sua existência na banda, onde deixou três ou quatro canções memoráveis, funcionou sobretudo como equilibrador entre as forças mais sensíveis de Lennon e McCartney. A aventura de Harrison foi toda ela interior. Uma busca da verdade, do sentido para a passagem representada pela vida; uma prepração para receber com aceitação o momento da morte. Teve os habituais episódios folclóricos a Oriente; a música tirou disso grato beneficio, mas o percurso de Harrison encaminhou-o para o reconhecimento do seu maior talento, as relações humanas, cultivadas com privacidade; a impressão que deixou naqueles que o conheceram. George Harrison foi um homem complexo mas nunca complicado, porque a sua demanda foi vivida dentro de si, não se tornando obstáculo para ninguém. Harrison era mesmo um facilitador, numa história que compreensivelmente envolveu muitos egos. Poucos se lhe referem enquanto músico. Foi sempre o homem, a arte de viver, que deu azo às mais duradouras emoções. George Harrison era música personificada, no sentido espiritual. É assim que termina este retrato. Referindo o momento em que ao deixar o corpo, o espírito de George Harrison se manifestou sob a forma de luz.

sexta-feira, 5 de julho de 2013

# 278



Mayer Hawthorne e os "Steely Dogs". Até ser dia.

quinta-feira, 4 de julho de 2013

# 277



Quando pensávamos ter visto tudo dos refluxos e dos recursos de Bunk Moreland.

# 276


























Pudesse eu saber o que vinha antes e teria saltado directamente para a Parte III, capítulo 3.2 e seguintes. A frieza dos números e o gelo maior dos relatos. Mas também alguma confusão, como na relação directa entre a falta de desejo e o fim do amor. Só numa concepção utilitarista do amor: de um amor que apenas serve para sermos servidos. Desejo é sinónimo de saúde física; amor decorre da saúde do espírito. Existe todo um manancial de afectos pelo caminho. O problema é quando não conseguimos ter tudo e optamos por ficar com nada.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

# 275



Carlos Reygadas mostra boa dose de consciência do seu talento (é artista), mas reconheça-se que o filme implica o espectador com todos os sentidos possíveis, e despe-nos o olhar para melhor vivenciarmos a experiência da intimidade (do que está muito próximo da vida ou da morte) que é Post Tenebras Lux. O olhar num igual plano que o dos animais ou da criança que corre atrás deles no início do filme, nomeando-os como se estivéssemos na criação de um mundo. Cinematograficamente, estamos.

As imagens. Desfocadas nos limites e a causarem um efeito de relevo, também pela duplicação de alguns elementos que se deslocam ou que são reenquadrados nas margens do plano. Marcadamente plásticas, a sua materialidade mais sensível como na pintura. Uma pintura hiper-realista. Uma realidade que surge ampliada diante de nós. 

(na antestreia)

terça-feira, 2 de julho de 2013

# 274

Música clássica.

# 273






























Progride como se promovesse o encontro entre as sensibilidades musicais dos The Go-Betweens com o Ryuichi Sakamoto mais emplumado, largando os Betweens a caminho do final para fazer entrar o Eno da fase Before and After Science. E sempre Destroyer. Intemporal e enciclopédico.

segunda-feira, 1 de julho de 2013

# 272




Perceber o que se transforma no que permanece é anular momentaneamente o tempo cronológico e torná-lo horizonte sem princípio, sem meio, e sem fim. 

# 271

# 270

"Quando Marilyn viu os lenços, foi directa: 'Quer fazer nus?' Mais tarde definiria as regras: 'Não vou tirar as calças.' Preocupava-a a cicatriz de uma operação à vesícula. Mas o champanhe libertaria a euforia, dando origem a uma espécie de back to basics para a actriz e para o olhar de um fotógrafo. Um último hurrah para ela: como se passasse por cima do que Richard Avedon, Cecil Beaton, George Barris, Sam Shaw e Milton Greene tinham feito antes – todos eles, de uma forma ou de outra, querendo aplacar a culpa do voyeur por olhar para aquele corpo."